Boas Vindas

Designado pela Organização Mundial de Saúde como um dos maiores desafios de saúde pública do nosso século, a obesidade é responsável por 10 a 13% das mortes na região Europeia. Neste contexto, vários intervenientes decidiram reunir-se num Consórcio para cruzar a experiência pública e privada, a fim de desenvolver ferramentas simples, adaptadas e divertidas de maneira a despertar a atenção dos consumidores para a alimentação saudável.


Sendo as empresas um cenário importante e um canal de informação para a promoção da saúde junto dos seus funcionários, o programa alimentar Europeu FOOD promove hábitos alimentares saudáveis no ambiente de trabalho e fora deste. Este pretende melhorar a alimentação dos trabalhadores, fortalecendo a interação entre os lados da procura e da oferta. Está a ser construído um canal de comunicação único e raro entre restaurantes e empresas, à medida que o Consórcio pretende desenvolver a sua capacidade de influenciar positivamente a oferta alimentar nos restaurantes, bem como os estilos de vida e hábitos dos consumidores europeus.


Graças a uma vontade governamental e o envolvimento de Portugal, o Consórcio está muito honrado e satisfeito em ampliar a sua cobertura geográfica e receber um oitavo país.


Em nome do Consórcio FOOD e juntamente com a Direção-Geral da Saúde, agora parte deste, estamos muito orgulhosos em partilhar algumas recomendações, conselhos e dicas para ajudar os consumidores a comer melhor e mais barato, através de um livro designado Alimentação Inteligente. O livro é particularmente inovador no sentido em que pretende ser prático e não ser apenas uma análise teórica. Esperamos que os resultados da nossa colaboração sejam relevantes e frutíferos, e que permitam a partilha de conhecimento e experiência, de forma a alcançar objetivos comuns.


Vamos unir forças para a disseminação de melhores práticas alimentares em Portugal e em todos os países integrantes do FOOD.


Nathalie Renaudin

Coordenadora do programa FOOD

Edenred



Os progressos tecnológicos que ocorreram no século passado e mais marcadamente depois do fim da segunda guerra mundial, repercutiram-se na produção e comercialização alimentar à escala global. Em Portugal, na sequência do 25 de Abril, mudou fortemente a oferta alimentar para os portugueses. A adesão à Comunidade Económica Europeia em 1986 abriu as fronteiras a alimentos e a produtos alimentares produzidos externamente e, simultaneamente levou ao desinvestimento nos setores produtivos da agricultura e pescas. Assim, as políticas agrícolas, de pescas e de comércio exercem uma poderosa influência na disponibilidade de alimentos para as populações, repercutindo-se nomeadamente nos preços.


Sabe-se que quem tem menores rendimentos não só gasta maior proporção do seu orçamento em alimentação como também tem uma diferente estrutura de compras, com menos produtos frescos como hortícolas e fruta e mais produtos ricos em gorduras e açúcares. Uma vez que as despesas com a alimentação constituem a fatia mais flexível do orçamento familiar, em alturas de crise a qualidade da alimentação torna-se mais preocupante e o conhecimento revela-se como uma excelente ferramenta para uma melhor escolha. Esse é um dos grandes méritos da presente publicação pois transmite conhecimento prático e rigoroso para a alimentação nos difíceis tempos de crise.


Será certamente uma preciosa ajuda para quem é responsável pela alimentação familiar, informando e exemplificando como tirar melhor proveito dos bens alimentares de produção local contribuindo assim também para dinamizar a economia local.


Formulo votos que este livro contribua para a capacitação dos cidadãos portugueses para uma melhor alimentação, um dos direitos fundamentais dos seres humanos.


Maria Daniel Vaz de Almeida

Diretora da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto



“Alimentação Inteligente - coma melhor, poupe mais”, que ora é publicada, constitui uma obra útil para especialistas e cidadãos.


A Direção-Geral da Saúde, associa-se, naturalmente, à presente edição, uma vez que a alimentação saudável representa uma frente de trabalho com absoluta prioridade.


Todos reconhecem que a alimentação equilibrada é, juntamente com a promoção do exercício físico, condição determinante para melhorar a saúde dos cidadãos, das famílias e da coletividade no seu conjunto. A ingestão de calorias adequadas, menos açúcar, menos gorduras (especialmente as de origem industrial), e menos sal são receitas aparentemente simples mas de elevada complexidade na prática do dia-a-dia.


Tem, por isso, toda a oportunidade, insistir em princípios, que podem ser considerados básicos, mas que são de observação indispensável. Como organizar o frigorífico? Como utilizar a roda dos alimentos? Que tomar ao pequeno-almoço? São questões simples, mas com respostas muitas vezes complexas, agora clarificadas nas páginas seguintes.


Informar devidamente todos os cidadãos, conduzindo à elevação dos respetivos conhecimentos na perspetiva da adoção de escolhas promotoras de vida saudável, são “cascatas” que não podemos ignorar num processo de literacia permanente que tem que ser impulsionado.


Em última análise, a alimentação saudável assegura, comprovadamente, a redução de riscos evitáveis de doenças crónicas e, em consequência, contribui para a redução do burden da obesidade, da diabetes, de doenças cardio e cerebrovasculares e até de cancro. Isto é, permite reduzir a probabilidade de os portugueses morrerem “antes de tempo”, traduzida pela taxa de mortalidade prematura que se pretende melhorar.


Francisco George

Diretor-Geral da Saúde